terça-feira, março 10, 2009

"Aonde está você agora além de aqui... dentro de mim!?"

sábado, janeiro 03, 2009

Black Balloon

     Noite passada acordei as 4 da madrugada e percebi que tinha esquecido o mp3 ligado com os fones no ouvido. Estava tocando o comecinho de Black Balloon. Não sei se era o silêncio absoluto daquela madrugada, ou meu estado de espírito de 'recém-acordado' mas a música era linda de um jeito que eu nunca tinha ouvido.
     Depois de saborear o momento pensei comigo: não é a música em si, mas o que eu escuto dela. Não era o mesmo Black Balloon que eu já tinha ouvido centenas de vezes. Sabe quando tu olha a foto de uma paisagem que tu já viu ao vivo e percebe que a foto não mostra 1% da beleza do lugar? Isso porque tu não olha com os olhos, tu olha com a alma, e isso a câmera não consegue captar. Por isso também cada um tem seu próprio jeito de ver o mundo, seu próprio jeito de experimentar cada sensação. É mais ou menos aquele lance do copo meio vazio ou meio cheio sabe? Tu olha uma paisagem e vê o que que existe dentro de ti mesmo. A paisagem nada mais é do que um impulso, uma chave pra que tu descubra um sentimento que sempre esteve contigo.
     Acredito que cada um de nós é um ser inacreditavelmente rico, com todos os sentimentos mais puros e incríveis que existem guardados dentro de nós mesmos. Só precisamos da chave certa...

Na terra do coração

Não pude deixar de publicar esse poema do Caio Fernando de Abreu. É explícito, vivo...

     Passei o dia pensando - coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:
     Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.
     Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.
     Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.
     Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água.Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.
     Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.
     Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.
     Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.
     Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.
     Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.
     Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.
     Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.
     Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.
     Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.
     Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.
     Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.
     Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.
     Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim! ai, ai de mim!
     Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.
     Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.

     Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração teu.

sábado, novembro 15, 2008

(Falta de) Boa vontade

-Vou fazer um slideshow para você.

Está preparado?

É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas. Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem. Êxodos de populações inteiras. Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.

Criam ONGs. Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza. Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.

Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo. Resolver, capicce? Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta. Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado.

Digamos que seja o dobro.

Ou o triplo.

Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.

Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.


(
Neto, diretor de criação e sócio da Bullet)

quarta-feira, setembro 10, 2008

Huila

     Tu foi o melhor dos meus professores. A cada lambida tua e a cada abanada de rabo eu aprendi a importância de demonstrar os sentimentos. Cada madrugada fria em que voltei de um festa ao invés de estar contigo, e te via saindo da cama quentinha pra ganhar 1 minuto de carinho, ou todas as vezes que, de brincadeira fingia estar chorando, e te via largar o prato de comida pra me consolar e me lamber até que o choro terminasse me ensinaram a importância da lealdade, sem exigir nada em troca.
     E hoje o choro é de verdade. Hoje tu foi embora cedo demais, sem aviso. Hoje o que eu sinto é um vazio e uma dor que só se comparam com o amor que sinto por ti. E hoje aprendi a mais dolorosa lição que tu me ensinou, dentre tantas: nunca deixar nada pra depois. Amar hoje, ser fiel hoje, ser amigo hoje, fazer o bem hoje. Porque o amanhã não é uma certeza. Fica com Deus meu amor! Te amo muito!

domingo, janeiro 27, 2008

Escolhas...

- Venham até a beirada. (disse o homem)
- Não, nós temos medo. É muito alto! (eles responderam)
- Não sejam bobos, venham até aqui! (insistiu o homem)
Eles foram. O homem os empurrou.
E eles voaram!

terça-feira, novembro 29, 2005

O Show...

      Não teria como descrever para vocês, não encontraria palavras. São sensações que você sente quando por exemplo entra num Louvre e descobre nomes como Leonardo da Vinci, Raffaello Sanzio, Michelangelo Merisi, Rembrandt Harmensz.
      Quando você percebe que está com alguém que faz parte desta lista dos “eleitos”, como os citados acima, você se sente especial. Você vive um pequeno momento especial, que você vai levar para o resto da sua vida sem esquecer um detalhe.
      Poesia ou não, sempre tive a impressão que Deus manda uns caras aqui na Terra para mostrar como ele faz as coisas. 'Mas, não dá para explicar?' Desculpe, não dá. Eu não tenho como descrever reações, comportamentos, atitudes. Você simplesmente fica olhando sem querer perder nada. É isso.
      Não dá para contar, é uma coisa sua, como foi de Gagarin, Carpenter, Armstrong e Buz Aldrin. Como você quer ver tudo e não perder nada, alguma coisa você registra. O resto, você absorve.
      As palavras roubadas do Edgard de Mello Filho foi o melhor que eu encontrei para descrever o que eu presenciei ontem. E sinceramente se eu tentasse descrever o show com minhas palavras usaria apenas duas: Pearl Jam!

sexta-feira, outubro 07, 2005

Hipócritas manipuladores...

Será que estou sendo injusto? Derrepente os atores Globais não
estão se vendendo como estou pensando. Talvez eles realmente acreditem que o Governo tem condições de proteger a população com a fantástica política de segurança que têm.

Ótimo, então junto com a proibição da venda de armas vamos
proibir o pagamento de escolas e faculdades particulares, já que o
Governo é tão competente, vamos colocar os filhos dos artistas Globais
a estudarem nos colégios públicos também. Vamos proibir a venda de
planos de sáude, que sugam dinheiro do povo, vamos usar nosso
fantástico Sistema Único de Saúde (SUS). Vamos lá atores Globais, todo
mundo se consultando pelo SUS. Dispensem seus seguranças, nossa
polícia dá conta do recado, vão nos proteger. Aposto que a Fernanda
Montenegro, a Angélica, o Zé Mayer, todos eles utilizam os serviços
públicos para educar e proteger seus filhos.

Eles querem acabar com os casos de suicídio e violência
familiar. Que interessante, vamos proibir o uso de facas, giletes, e
venenos pra ratos, e também temos que destruir todas as pontes e
viadutos do país, sem esquecer de proibir a construção de prédios com
mais de 2 andares. Só assim conseguirão impedir um suicida de se
matar. E alguém aí se lembra do caso Farah Jorge Farah? Ele não estava
usando uma arma de fogo quando matou e esquartejou sua própria mulher
dentro de casa. Vamos proibir os bisturis também.

Porque não começam essa "luta contra a violência" com a
campanha do "Desdrogamento"??? Afinal de contas o tráfico de drogas é
o grande motor do crime organizado. Ahhh, mas aí os atores da Globo
não poderiam participar da campanha né? Pois o que mais se vê são
atores Globais flagrados em bocas de fumo financiando o tráfico de drogas
e os Fuzis de uso exclusivo do exército que os traficantes devem ter
conseguido de algum cidadão de bem irresponsável.

Vão todos tomar vergonha na cara e fazer alguma coisa útil
pelo país. Vão votar a proibição da música ridícula do Filipe Dylon ao
invés de colocar essa bicha esganiçada no ar falando de coisas que ele
nem sabe, pois ainda brinca de Barbie e corre pra cama da mamãe se
escuta algum barulho em casa. Desarmem o Malouf que coage testemunhas
ao invés de desarmar o pai de família que quer proteger seus filhos.

Vão todos tomar no meio dos seus cús cercados de seguranças armados e carros blindados, ao invés de manipular o povo. Seus filhos da puta do caralho.

sábado, junho 18, 2005

Racionais?

      Acho muito engraçado isso. Comparando as espécies vemos as fundamentais diferenças entre elas. Os cachorros por exemplo: ou se gostam e brincam até cansar ou não se batem e já tratam de tomar cada um seu rumo. Fácil, sem hipocrisia. Nós não. Nós somos racionais. Sorrimos falsamente para aqueles que não suportamos. E com aquelas pessoas que queremos conquistar, ou que nos atraem fazemos jogo duro. Fingimos indiferença.
      E as formigas. Cada uma faz sua parte e contribui para a sociedade e para o bem de todos. Não importa de quem é aquele pedaço de comida que ela está carregando. Todos se ajudam e crescem. Mas nós não. Nós pensamos, somos racionais. Pusemos fronteiras ao redor de nossas posses. Construimos armas e matamos quem se atreve a percorrer nossas terras.
      Os ursos polares passam fome para dar de comer aos seus filhotes. Mas nós não. Somos inteligentes ora essa. Hoje em dia fazem-se 10, 15 filhos que vão para as sinaleiras ganhar o crack e a garrafa de cachaça de cada dia, enquanto essas mães vagabundas bebem e se drogam as custas das infâncias perdidas de seus filhos.
      É sério. Acho que vou viver minha vida toda e não vou entender os seres humanos. Somos os animais mais aprimorados que existem. Temos um poder inatingível em relação as outras espécies: somos racionais. Será mesmo?
      Alguém já pensou no fato de que fomos nós que criamos esse mundo marginal em que vivemos? Recebemos tudo! O mundo inteirinho aos nossos pés. Recebemos a natureza e a devastamos. Mas ok! Com ela progredimos, criamos casas, carros, máquinas, tecnologia. E o que conseguimos com isso? Alimentar o nosso egoísmo cada vez mais.
      Recebemos dons, habilidades que nenhum outro ser na Terra tem. Desde então temos inveja das pessoas e pisamos nelas pra poder subir na vida. Fomos postos aqui, de algum jeito que agora não vem ao caso. Homens e mulheres juntos, para amarem-se uns aos outros. O homem não estava contente e então veio a traição, as mentiras e o individualismo.
      Podíamos criar uma sociedade única e perfeita. Criamos armas, fronteiras por todos os lados, nos matamos uns aos outros em busca de posses. Todos, em todos os lugares querem tirar proveito de tudo em seu favor.
      Deus deve estar se perguntando: "Por que não dei o controle do mundo aos cães? Ao menos seriam leais uns com os outros!"

domingo, maio 08, 2005

12 anos depois...

Olhei pra trás e vi um jardim de flores cinzentas, inodoras. O vento frio e o tempo chuvoso completam a paisagem. Sentado em uma pedra está um menino, que não é muito diferente do cenário ao seu redor. Balançando os pés e olhando para toda aquela natureza sem vida. Perguntei ao menino porque ele estava ali. Ele me disse que quando chegara ao jardim haviam lindas flores e o sol brilhava como jamais vira antes. Então, um dia, um homem chegou e roubou a beleza das flores, o brilho do sol e a vida daquele lugar. E disse que estava ali sentado porque esperava um dia rever aquele jardim com a mesma beleza de antes. Dei a volta na pedra e olhei o rosto do menino. Era eu. Finalmente entendi o que significava tudo aquilo. Chorei, pois novamente me dei conta de que o homem que tirou a beleza daquele lugar nunca poderá devolvê-la. Chorei porque percebi que aquele menino nunca vai se levantar daquela pedra.

quinta-feira, maio 05, 2005

A maldita 4ª corda

Quem toca violão sabe do que eu estou falando. É sempre ela: a maldita 4ª corda. Começo a desconfiar que existe uma espécie de máfia da 4ª corda. Acompanhe meu raciocínio... O que se faz quando a dita cuja arrebenta? Compra-se um jogo de cordas novo não é? É o que estou dizendo! A 4ª corda não é a mais frágil por acaso. Isso é pra ser assim. Essa inocente corda movimenta milhares de dólares no mercado de instrumentos musicais. Mas por que a logo a 4ª corda? Elementar meu caro Watson! A 6ª seria muito suspeita, a 1ª muito óbvia. A 4ªcorda está acima de qualquer suspeita. É o crime perfeito! Por acaso conhece alguém que nunca tenha arrebentado a 4ª corda? só se nunca tiver pego um violão!

quarta-feira, novembro 03, 2004

Vergonha!

É triste ver a ignorância do povo. Em época de eleição então chega a ser ridículo. "Fogaça-a-a-a-aaaa!" "Raul, pra fazer melhor!". Hoje em dia é assim, se escolhe candidato pelo jingle. Ou então um candidato lança um jargão que os inteligentes eleitores aceitam sem contestar e o defendem até a morte! "Eu voto pela mudança!" "Eu voto pelo Orçamento Participativo!".
A verdade é que não se teve um candidato decente nessas eleições. Pouco entendo de política, mas o que eu vi nas ruas quando o Fogaça ganhou as eleições foi vergonhoso. Pessoas se amontoando, sujando as ruas, atrapalhando o trânsito, festejando um candidato que conheceram a 2 meses atrás como se fosse o próprio Salvador. E se alguém perguntasse: Mas porque tu estás tão feliz? - "Porque o Fogaça vai manter o que é bom e mudar o que é preciso!" Exatamente as mesmas palavras do Horário Eleitoral. É isso que somos. Uma cidade governada por um cara que foi eleito por um bando de papagaios que o defendem como se fosse Deus. Somos um exemplo de democracia e ao mesmo tempo de ignorância. Temos a democracia mais rápida e confiável do mundo e somos campeões de corrupção.
Não estou defendendo nenhum candidato. Merda por merda, dá no mesmo. Só me assusta saber que o poder está nas mãos do povo, e que o povo está nas mãos de quem fizer o jingle mais bonitinho.

segunda-feira, agosto 23, 2004

The ordinary day...

Rotina... O acaso logo ali ao lado, um dia como outro qualquer. Até que o acaso resolve jogar à seu favor e então você percebe que esse é o dia que você esperou por muito tempo. O dia em que estranhamente você consegue tocar seus sonhos. Uma sensação indescritível! É como se o coração parasse por alguns instantes. O mundo pára de girar, as coisas se congelam. Tempo e espaço já não fazem mais sentido. O silêncio é grande, os sons da rua já não interferem. É um mundo particular, uma eternidade que durou segundos. O olhar denuncia, o sorriso acalma. O momento se acaba, estou sozinho novamente. Mas algo estranho aconteceu e mudou as coisas. Tempo e espaço ainda não fazem sentido. No horizonte o sol brilha, radiante, as 3 da madrugada. Os objetos que outrora eram cinzas agora ganham cores intensas. Ainda não ouço os sons da rua, meus sentidos estão alheios a minha vontade. Uma curva, e meus sentidos voltam. Um barulho ensurdecedor e meu pé direito afunda cada vez mais, a medida que o barulho aumenta. O cheiro de pneu queimado me faz cair na real e sorrir, apreciando o momento. Sim, ainda sou eu! Só fui dar uma volta pelos antigos caminhos do coração, estou aqui novamente...

quinta-feira, junho 17, 2004

A História que nós fazemos...

      Quem nunca pensou em deixar sua marca na história? Quem nunca quis ter seu nome lembrado? A pergunta é: Como quer ser lembrado? Porque eu prefiro ser lembrado pelo grande avô que fui aos meus netos do que por um golpe político, ou algum massacre desses qualquer que acontece todos os dias.
      Mas não... Nossos nomes dificilmente ficarão escritos na história. Seremos lembrados por nossos filhos, por nossos netos, e pelos filhos deles talvez. Mas quando eles morrerem, e seus filhos também, ninguém mais vai lembrar quem fomos. Porque hoje em dia só entra pra história aqueles que realizam "grandes feitos".
      Aqueles que explodem aviões contra prédios, matando milhares de pessoas. Governantes bundões que com uma assinatura tornam a vida de um país inteiro um inferno! Aqueles que sentados confortavelmente em suas cadeiras, a centenas de km, optam pela vida ou pela morte de milhares de inocentes. Estes sim serão lembrados por séculos.
      Estou mentindo? Vamos ver: lembra o nome daquele terrorista que organizou os ataques às torres do WTC? Claro que lembra! Ele aparece na TV toda hora, charges na internet, máscaras com seu rosto desfilando no carnaval. E agora me diga o nome da pessoa que organiza os evetos da AACD (Associação de Apoio à Crianças com Deficiência). Não sabe né? Por que alguém iria saber o nome dessa pessoa... Ela matou alguém? Derrubou algum prédio?
      Pensando bem, por que um trabalhador honesto, ou um pai de família dedicado, iria querer ter seu honrado nome lembrado por essa história cada vez mais podre que a humanidade faz questão de passar aos seus decendentes? Isso é lixo!
      Feliz daquele que pode olhar nos olhos de seu filho e ver que ele é um homem de caráter. E saber que ao menos um décimo disso foi herdado dos pais. Esse é o verdadeiro reconhecimento.

sábado, maio 29, 2004

I'm talking about feelings...

Palavras são traiçoeiras, não expressam sentimentos verdadeiros. Estão diretamente relacionadas ao seu estado de espírito. Se eu falasse tudo que gostaria nesse momento, talvez estivesse magoando as pessoas que mais amo. Por isso não acredito em palavras. Elas mascaram sentimentos, escondem emoções. São espelhos de um lado calculista dentro de cada um de nós.
Estou aprendendo a usar as palavras somente para o essencial. Procuro olhar nos olhos das pessoas, pois estes são espelhos da alma e não mentem. Mas o que fazer quando se olha nos olhos de uma pessoa e percebe-se que ela está tentando mascarar sentimentos que seus olhos não conseguem esconder? O que dizer? Nada... Cabe a cada um escolher a forma de se expressar. Pode-se no máximo lamentar por um tempo que está passando.
Aliás, por que estou aqui? O tempo lá fora está passando. E eu aqui falando de sentimentos. Expondo meus pensamentos sem ao menos selecioná-los... Tudo bem, muita prepotência me julgar um incompreendido, apesar de estar me sentindo assim.
Sair na rua de pijamas e ficar olhando o céu! Não sei porque, mas são coisas que simplesmente acontecem, pensamentos que me vêm à cabeça e não os reprimo. Está frio lá fora e isso pouco me importa. É o que vai me fazer feliz nesse momento. Por que pensar no amanhã? O amanhã é incerto demais para fazer-mos planos. Se o frio de hoje me causar problemas no amanhã, isso é coisa pra se resolver amanhã, por isso é apenas um "se". Palavras sem nexo? Talvez... Mas o que fazer? Selecionar palavras bonitas e "filtrar" pensamentos? Não... Como diria um grande amigo meu: "...é a leveza da displiscência!".
Aproveitar o hoje! Hoje o céu está lindo! E o frio consegue escondê-lo da maioria das pessoas, pois estão preocupadas com o amanhã! Pra finalizar vou citar Martin Luther King: "(...) Eu prefiro na chuva caminhar que em dias tristes em casa me esconder. Prefiro ser feliz embora louco que em conformidade viver!"...

quinta-feira, maio 06, 2004

Minha maior saudade...

Hoje sonhei contigo, e acordei com teu rosto no pensamento. E com um vazio imenso... Conversas que não aconteceram, conselhos que não foram dados, saudades que não acabam de um tempo que não existiu. Sim, foi maravilhoso enquanto durou. Mas preciso de ti agora! Preciso de ti nesse momento. Preciso chorar de desabafo e não de saudade. Preciso olhar nos teus olhos mais uma vez.
Se me fosse dada outra oportunidade, eu não pensaria em mais nada, te abraçaria forte e diria mil vezes que te amo. E choraria no teu ombro por todas as vezes que precisei disso. Mas não sei o que fazer, não sei em que acreditar, não sei se um dia esse dia chegará. O que me resta é a esperança de que saibas o que eu sinto, pois não poderei te dizer isso olhando em teus olhos.
A única falta que sinto é desse tempo que não passamos juntos. O único arrependimento foi não ter te dito "Eu te amo!" todos os dias, pois todos os dias eu te amo! E foram dias inesquecíveis, lembranças que aumentam minhas lágrimas e me fazem por um minuto perceber o quão fúteis são meus problemas do dia a dia. E quando tudo parece triste eis que aparece um de meus "anjos" pra me consolar. E como são especiais! Queria que estivesse aqui para conhecê-los.
Hoje choro, grito com todas as minhas forças mas não sei se me ouves. E essa dúvida parte meu coração ao meio. Não espero respostas, sei que terei que conviver com isso. Mas pra eu ficar bem só preciso que tu me ouças agora, só quero te dizer 3 palavras: "Eu te amo!". Te amo com todas as minhas forças, te amo porque sou parte de ti e o meu amor nunca acabará. E por isso ele é incondicional. Pois tu sabes que nunca haverá pessoa nesse mundo capaz de ocupar teu lugar. E eu não quero que ninguém tente fazer isso.
Peço desculpas se não consigo entender como as coisas são, se estou sendo egoísta ao dizer isso tudo. Mas não posso ser hipócrita pois estou de coração aberto. Ainda posso sentir o cheiro daquelas manhãs de domingo. Ainda lembro de ficar no portão te esperando. E de te ouvir dizer pra minha mãe: "Tchau baxinha!". Me parece tão nítido, tão perto, ao mesmo tempo que sei que são apenas lembranças.
Ah se eu soubesse disso antes. Se eu soubesse há anos atrás que estava vivendo a melhor época da minha vida eu não disperdiçaria um segundo sequer. Sei que já fui por demais redundante nesse texto, mas quando misturo lembranças desse passado tão especial com o que sinto agora, só me vêm 3 palavras na cabeça, que fico repetindo incansavelmente, na esperança de que me ouças: "EU TE AMO!".

sexta-feira, abril 16, 2004

Duas palavras: Ayrton Senna

Estava na minha sala no autódromo quando o celular tocou. Era o chefe.

"Tudo bem aí?"

“Tudo, chefe, o que manda?"

“Seguinte, preciso ver algumas coisas aí. Preciso dar uma olhada porque o belga (Roland Bruynseraede, o Charlie Whiting da época) vai chiar, vai ter que mexer no Berger e no Mergulho"

“Você vem com o Esquilo e vamos dar uma volta com a Onça"

Onça era um Opalão quatro cilindros, preto, quatro portas. Um coitado. Ele estava caindo de podre e graças ao querido amigo Paulo Taliba consegui pegar o carro para o autódromo num rolo inacreditável entre departamentos. E acredite se quiser: o chefe se divertia muito guiando a Onça. Uma vez, duas ou três semanas antes do GP do Brasil de 1994, ele me ligou e disse: “Vou aí dar uma repassada nas obras, faz o shakedown do Onça”.

O shakedown era colocar 42 libras nos pneus dianteiros e 39 nos traseiros (aliás, as únicas coisas novas do carro, presente dos bons amigos da Pirelli, quatro radiais 185 nos trinques), além de checar o arame da porta dianteira direita para ver se estava firme sem ataques de ferrugem.

Ele ria muito e nos divertíamos, principalmente quando eu, para dar um tempero, imitava o locutor da TV e narrava as voltas contra um imaginário piloto de pequena estatura e nariz enorme, docemente apelidado de "Narizinho". E um grande urso inglês chamado “Roaaarrr”, com suas luvas uma de cada cor, vermelha na mão direitae azul na mão esquerda. Um canhão, rapidíssimo. Daqueles tipos que você acabava até gostando. A gozação em cima de "Roaarr" é que demorava um pouco para cair a ficha dele.

Deixei a Onça pronta, mas aquele dia seria especial. Ele chegou por volta das 17h20, com uma Perua Audi S2. X-tudo. Turbo, cinco cilindros, jogada no chão, aquelas rodas absurdas. Aquele barulho metálico ardido de motor bravo (as BMWs também têm esse barulho característico de isca, pega).

Sentei no lado direito, passei o cinto e já cutuquei: “Isso aqui anda ou é para ir à missa?”

“Por quê?”

“Nada, só estou perguntando”

Entramos pelo portão de cima mesmo e viramos à direita, rumo ao "S" com o nome dele. No começo da descida, paramos. Ele ficou olhando para a brita. Não perdi a viagem: “Está lembrando do esparramo que o teu parceiro made in USA (Andrettinho) fez na largada do GP desse ano, aqui?”

“Isso acontece”, desconversou.

Na saída da segunda perna, ele contou: “Aqui foi a primeira vez que a luz de pressão de óleo acendeu no final do GP do Brasil. Eu vi de relance e fiquei imaginando se não tinha sido impressão. Me preparei para olhar na outra volta e a tensão aumentou porque eu estava controlando o Damon e o alemão que vinham atrás. Eu estava muito ligado neles porque o Damon usava aquele carro de outro planeta e o alemão tinha aqueles cavalinhos a mais que o meu motor, por estar usando uma série à frente”. Perguntei seco: “Não tem jeito de mexer neste contrato da Benetton com a Ford?”. A resposta foi meio desanimadora: “O Ron está tentando, mas não vai ser fácil, o Flavio (Briatore) está marcando em cima".

Foi a deixa para matar a curiosidade: “Além da distribuição pneumática, tem mais alguma coisa na usina, não tem?”, perguntei. A confirmação veio, como sempre, discreta: “É, tem algumas coisinhas”. Emendei para não perder o momento: “Quantos cavalinhos o motor do alemão tem a mais tem a mais que o teu?”

Ele, como sempre modesto, respondeu: “Um pouco”.

Cheguei junto, agora é a hora: “Um pouco quanto? Uns 90 hp?”. Estava difícil tirar informação do homem. “Não, menos”, falou. Resolvi forçar mais um pouco, já perto do limite: “70? Fala aí!”. Ele manteve a guarda alta: "Não sei".

Agora vou cutucar para tirar o cidadão do sério e arriscar o meu pescoço: "Senhoras e senhores, estamos entrevistando um piloto de F1 que não sabe quantos cavalos tem o seu motor, é espantoso!”

Foi o tempo de encolher o pescoço e levantar os ombros.

O que veio a seguir foi em três idiomas: português, inglês e, sou capaz de jurar que alguma coisa em japonês: “Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii (censurado) ficou p piiiiiiiiii da vida.
Senti que poderia ser o momento e mandei uma paralela: “Não apela, vou chutar 40 a 45 burritos a mais”. Silêncio, deu até para ouvir um pouquinho do CD do Phill Collins. Armou um bico e completou com um muxoxo: “Hummm, por aí”. [NOTA DO BOI: Essa eu quero dedicar aos Schumaquistas teenagers que falam merda sobre o motor do Senna em 93. Calem suas bocas e vão aprender sobre F-1.]

Precisei dar uma descontraída no ambiente: “Respeitável público, além de perder o lugar para o anão na Williams, ainda guia corrida a corrida com 40 cavalitos a menos no motor!”

A seguir, momentos de uma leve baixaria e muita risada. Quando estávamos no final da Descida do Lago, já apontado para a subida do Laranjinha, o chefe veio com mais uma: “Essa saída do Lago me preocupa, se der uma escapada em pêndulo, com chicotada ao contrário, vai bater feio, precisava dar um jeito de mexer aqui”. Rebati: “Já pedi para os engenheiros da Emurb darem uma olhada no que é que dá para fazer. Aqui tem um complicômetro, chefia: a confluência dos lagos. A única saída de emergência é colocar o guard-rail mais próximo da pista para não deixar ganhar velocidade na hora que esparramar. O problema, chefe, é a hora que der uma pregada bem caprichada do lado esquerdo. A lâmina vai devolver e o “elemento” vai cruzar a pista de volta para o lado direito. Precisa ver se não pega ninguém, nenhum anu errante no contrapé da biaba”. Ele me deu uma olhada, armou uma risada de canto de boca, e conferiu: “Elemento, anu errante, contrapé da biaba?"

Devolvi bem curta: ”Chefia, você entendeu, não estica”.

Quando chegamos ao cotovelo - ou Bico de Pato -, ele comentou: “Aqui acendeu de novo a luz da pressão e desta vez eu vi e envelheci. Só me faltava esta, estava no final da prova. Na África do Sul devia ter chovido 15 voltas antes, e aqui, essa?! Ainda bem que o motor, que já tinha dado umas amarradas nas voltas atrás do safety-car, aguentou, já estava uma barra e agora a FISA ainda me penalizando não sei até agora por que. Fiquei um tempão atrás do Erik (Comas, que foi o rei do ventilador no GP, pois arrumou time penalty para todo mundo) e, quando ele tirou o pé e me mandou passar, os caras me deram o pênalti”.

(N.R. Túnel do tempo, forward: Montoya, aquela punição na Malásia, tá vendo como é coisa antiga? Aposto que são os mesmo daquela época. Aliás, para mim esta turminha já vem daquele escândalo do Japão – Túnel do tempo rewind).

Subimos a Junção e, no final do Café, ele diminuiu. Levou a X-tudo para o lado direito, deu uma provocada para o lado esquerdo e chamou o freio de mão. Currupeio perfeito. Viramos 180º e já estávamos voltando para o Café, iniciando a descida para Junção. Pensei: acho que é agora, vou atiçar.

“Respeitável público, no espetáculo de hoje teremos Don Becon e sua peruazinha”, brinquei.

Peruazinha foi a palavra mágica. Cutuquei a fera com vara curtíssima.

“Você vai ver o que isso anda”.

Infernizei: "“É bom mesmo, porque os caras da BMW estiveram aqui na semana passada e eu executei uma M3. Achei que anda muito, por isso estou achando isso aqui meio lerdo”. Aí o homem pegou no breu: “Então vamos ver quanto vira nesta pista ao contrário, você tem idéia?”, perguntou. Pensei comigo..."Consegui incendiar a fera"...

Completei jogando mais um pouco de gasolina: “Não sei, mas vou abrir o relógio e navegar: Atenção, Siviero para Biasion, Junção à direita, freada forte e quarta, pé embaixo”.

A partir deste momento foi só pintura. Adrenalina pura, movimentos precisos, derrapagens controladas, controle absoluto, um conjunto de ordens e contra-ordens que a S4 obedecia docilmente, como que sabendo quem manda, quem é o dono. O carro não ia para onde queria, e sim para onde “ele” queria e colocava. O cheiro de borracha queimada já era forte dentro do habitáculo.

Começando a subir o Mergulho, mandei:“Pironnen para Kankkunen, direita de alta, quarta, pé embaixo”. Quando ia avisar do Bico de Pato, o cotovelo tinha chegado. O problema é que saímos meio atravessados para o lado contrário da curva que era para a esquerda (nós estávamos andando ao contrário). Nos últimos metros antes de passar do ponto e com um improviso espírita, ele “inventou” um pêndulo que, sinceramente, não sei onde ele foi buscar. Absurdo, já todo torto, ele deu uma provocadinha e a barata entrou na dele, ameaçou voltar, eu só ouvi ele dizer: “Te peguei!”. A partir daí foi mais ou menos assim. Na pequena balançada da direita para a esquerda, ele percebeu antes e pendurou nos alicates (ABS). O barulho lá embaixo na frente era característico: “Cram...Cram...Cram = Tradução: Não vai travar”.

Quando a frente ameaçou entrar, ou melhor, quando a traseira ameaçou soltar, eu só ouvi um “rrrrrrrrrrrrrrrriiiiiippp”. Freio de mão puxado, ni qui, travou o eixo lá atrás, foi-se a traseira. Quando ela foi, assinou a sentença de execução do carro. O torpedo como um todo começou a contornar, girando sobre um eixo imaginário bem no meio do carro, fazendo uma meia lua, até chegar perto da metade da entrada do Bico de Pato.

Não sei se vocês estão percebendo a magia da manobra. Até aí, ele só vinha trabalhando com forças atuantes, sistema de freio em sequências de derrapagens controladas. Naquela sucessão de manobras, ele já vinha com a mão direita selecionando uma marcha adequada para a saída. A curva que era para ter passado, não passou. Nós estávamos dentro dela, quase apontados para a saída, com a marcha ideal selecionada e a plataforma motriz em stand-by esperando a vez dela. Chegou. Lembro que bati os olhos no velocímetro estávamos entre 95 e 105 km/h. Aquele era o ponto. O pé direito dele foi junto com o meu berro: “Dá-lhe gás!”. Naquele momento eu relembrei a ira dos deuses enfurecidos e a brutal potência da usina turbocomprimida da casa de Ingolstadt. Absurdo, absurdo, eu não conseguia definir se era castigo do céu ou coice de mula: com as costas coladas no banco, via a S4 seguir uma trajetória muito bem definida a caminho do Pinheirinho.

Sem deixar cair a peteca, emendei: “Kivimavi para Allen, terceira marcha cravado sem tirar o pé”.

Mas sempre tem um mas. Quando ele apontou puxando para a direita, o foguete empurrou um pouquinho à frente, ameaçando alargar a trajetória. Junto com a tentativa de reação, ele imediatamente telegrafou o acelerador, fazendo a traseira escorregar e ficar mais ou menos a uns 15º apontada para o lado de dentro da curva. Era tudo o que ele queria para chamar potência no acelerador. Fizemos o Pinheirinho e o "S" (antigo) em dois pêndulos. Quando chegamos perto da zebra saindo do "S" e a caminho do Laranjinha (só relembrando que estamos andando ao contrário na pista), comentei: “Nossa o que é no chão esse torpedo! O que fala essa usina e uma estupidez!”. Ele completou “Você vai ver nas de alta”. Ao ouvir aquilo fiz uma reflexão: “Senhor, vou testemunhar a verdade, vou conhecer de perto o toque divino de um dos eleitos”.

O motor urrando, o turbo descarregando, a velocidade crescendo, o Laranjinha, a Subida do Lago velocíssima com freada forte para a segunda perna na entrada da reta a caminho do Berger.

Todo o Berger à direita (nós estamos andando ao contrário). O pêndulo veloz direita esquerda para subir o "S" dele. E mais, a encardida chegada da Junção morro abaixo, quinta a pleno. Não teria como descrever para vocês, não encontraria palavras. São sensações que você sente quando por exemplo entra num Louvre e descobre nomes como Leonardo da Vinci, Raffaello Sanzio, Michelangelo Merisi, Rembrandt Harmensz. Ou quando ouve Antonio Vivaldi, Franz Schubert, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig von Beethoven, Johann Sebastian Bach ou mesmo uma "Rhapsody in Blue", de Gershwin.

Quando você percebe que está com alguém que faz parte desta lista dos “eleitos”, como os citados acima, você se sente especial. Você vive um pequeno momento especial, que você vai levar para o resto da sua vida sem esquecer um detalhe.

Poesia ou não, sempre tive a impressão que Deus manda uns caras aqui na Terra para mostrar como ele faz as coisas. Mas, Edgard, não dá para contar? Desculpe, não dá. Eu não tenho como descrever reações, comportamentos, atitudes, antecipações, acima de 200 km/h. Você simplesmente fica olhando sem querer perder nada. É isso.

Não dá para contar, é uma coisa sua, como foi de Gagarin, Carpenter, Armstrong e Buz Aldrin. Como você quer ver tudo e não perder nada, alguma coisa você registra. O resto, você absorve. Acho que demos umas oito voltas, depois da terceira virou rotina, conversamos, demos risada, eu xinguei a FISA (para variar)...O cheiro de borracha queimada não parou, nem diminuiu, nós é que acostumamos com ele. Lá pela sexta volta perguntei sobre Donington a resposta você já sabe. A “peruazinha” S2, um demônio, serve até para ir à feira, mas não leva desaforo para casa. Aquele motor não tem cavalos, tem bufalos enlouquecidos que, quando provocados, fazem desabar uma tormenta.

Perto do portão de saída, falei: “Me deixa aqui, vou andando até a minha sala. Falou, até mais, chefia”. Preocupado, me pediu: “Qualquer coisa, me liga. Se chegar algum pedido da FISA, me passa por fax”.

Para não perder o costume, provoquei na saída: “Fica frio. Da próxima vez, vem com um A8, tá bom?”.

Ele deu uma gargalhada e se perdeu no transito da Teotônio Vilela.

Fico imaginando que, para quem pudesse andar com Jim Clark, Ronnie Peterson, Gilles Villeneuve, Jackie Stewart, Nelson Piquet e Michael Schumacher, a sensação deveria ser a mesma. Só sei que, lá pelas tantas em casa, já na madrugada, olhei para o relógio e vi que o cronômetro ainda estava funcionando. Eu tinha esquecido de parar aquela volta que fiquei de marcar. Naquele momento, 1h30 da manhã, descobri que oito horas atrás eu tinha vivido uma aventura que ficaria na minha lembrança para o resto dos meus dias. Simplesmente ela se juntava a outras como o meu primeiro DKW de corrida, a minha primeira vitória com o Opala, A vitória nos 1000 Km de Brasília, a vitória nas 12 de Goiânia, a vitória no Troféu José Carlos Pace em Brasília, meu primeiro Campeonato Brasileiro de D3, o segundo, meu primeiro vôo num PA18, (todo mundo chamava de teco-teco). Lembranças, memorys, coisas que você não esquece mais.

Não sei se isso ajudou, mas por essa e outras experiências eu não tive nenhuma dúvida em ir para a frente das câmeras da TV Manchete naquele maio maldito e ficar berrando, durante oito ou nove horas, que podiam esconder todas as fitas que quisessem, mas ele não tinha errado [NOTA DO BOI: Eu assisti e realmente ele berrava e xingava como nunca tinha visto antes na TV]. Alguma coisa tinha quebrado ou acontecido. Está bem, não discuto, tinha chegado a hora dele, ninguém foge dos desígnios de Deus. Mas ele foi de pé, como um grande campeão. Reduziu três marchas e freou. Quer mais consciência do que isso de uma situação de emergência?

Os números podem falar o que for, pouco me importa. Eu sou feito de emoção. Nasci, vivi e vou morrer assim. A vida sem adrenalina simplesmente não tem graça. Jamais vou separar a emoção do coração. Por isso, onde você estiver – Acelera, Ayrton. Acelera, campeão.

quarta-feira, abril 07, 2004

Angels...

Não posso crer que existam pessoas que nao acreditam em anjos. Acho que é porque ficam procurando pequenas crianças gordinhas, cabelos loiros e encaracolados, um par de asas e uma auréola na cabeça...
Estão errados! E eu também estava até me dar conta que tenho anjos ao meu redor.... Poucos, mas fundamentais. São pessoas normais que eu custumo chamar simplesmente de "amigos", mas que no fundo eu sei que são anjos!

sexta-feira, abril 02, 2004

O Tempo (Parte II)...

Alguém já imaginou o que seria do homem sem a ajuda do tempo? Viveríamos apegados ao passado, corações partidos que não mais seriam capazes de amar, feridas abertas para sempre que nos impediriam de viver...
Mas lá está ele, sempre dono da verdade, sempre resolvendo tudo. Tempo, mano velho! Sábio conselheiro... Bom te ver de novo do meu lado!

terça-feira, março 30, 2004

Insane Heart

Ah cansei desse papo de sentimento! De que adianta me preocupar com meus sentimentos se quem realmente têm poder sobre eles não se preocupa? Liberdade? Que espécie de liberdade é essa que nos dá direito de eleger nossos líderes mas não nosso amor... Doce arrogância desse gênio humano que foi capaz de ir à Lua, mas que jamais será dono do seu próprio sentimento! Ah incertos caminhos do coração, mais fácil quebrar um átomo do que descobrir seus mistérios.

terça-feira, março 09, 2004

Amigos verdadeiros...

Posso contá-los tranqüilamente nos dedos de uma mão. São tão preciosos que não posso conceber a idéia de perder nenhum deles. Escolho-os não pela cor da pele, mas pela pureza e lealdade no olhar. Pela alma exposta... Não se escondem atrás de interesse e futilidade. Sabem que nada tenho a lhes oferecer a não ser atenção e amizade que são mútuos.
São todos eles assim: metade loucura e outra metade santidade. Agüentam o que há de pior em mim, e ainda conseguem rir das mesmas piadas que conto há anos! São profundamente sérios quando é preciso mas nunca deixaram, em momento algum, a alegria de lado. Amigo que não ri e não faz besteira junto, também não sabe sofrer junto.
Enfim, procurei palavras para escrever um post digno dessas pessoas. Me esforcei, mas acho que minhas palavras não fazem justiça à importância que eles têm pra mim. Não preciso citar nomes, nem devo, essas pessoas são tão poucas e tão preciosas que sabem exatamente quem são, e sabem que esse texto é dedicado à elas. Sinto-me profundamente feliz e honrado por ter um punhado dessas pessoas iluminadas que fazem parte da minha vida.
Meu avô me disse uma frase, a muito tempo atrás, que guardo até hoje: "Se no final da tua vida tiveres feito dez amigos verdadeiros, então você teve uma vida realmente notável!"
E vendo-os assim, loucos e santos, sérios e bobos, compreendo que todo o resto não passa de uma simples e patética ilusão...

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Protesto!

Onde esse mundo vai parar! Será que sou o único que não concordo com essa onda vegetariana que está tomando conta de tudo? Hoje fui numa pizzaria e adivinha quantas pizzas de calabresa passaram? Nenhuma! E chega a mulher com uma tremenda cara de pau na nossa mesa e oferece: "Cogumelos e palmito ao molho de maracujá..." Meus amigos e eu respondemos educadamente: "Nem fodendo!" Ela não deve ter achado tão educado... Mas a cara de pau foi ainda maior quando ela passa (interrompendo uma interessante conversa sobre bundas) e oferece: "Queijos suaves com alcaparras e manjericão..." A resposta foi unânime: "Que merda é essa? Isso aqui é uma pizzaria ou um Spa? Onde estão as calabresas e bacons?"
É por isso que o Brasil está nessa merda... Um povo que adora se passar por burguês de paladar sofisticado e acaba comendo um monte de porcarias! Autenticidade é o grande barato da vida social. Vamos ser autênticos pessoal... Agora, se alguém conseguir me convencer que realmente gosta de uma pizza de Queijos suaves com alcaparras e manjericão, eu publico um nota me redimindo desse post. Caso contrário continuo achando que são todos uns "falsos burgueses" sem personalidade... E tenho dito!

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

Ela também se foi...

A Inspiração se foi como todo o resto.
E insiste em não voltar...
Não quero outra!
Quero a minha Inspiração...
E vou esperar o tempo que for necessário!

domingo, janeiro 18, 2004

A Painful Mistake...

O Tempo finalmente conspirando a meu favor... Espantando o fantasma da Ilusão. E agora conto com sua lealdade pra espantar também a Dor. Mas pelo que percebo a Dor é muito mais forte do que era a Ilusão, não se renderá tão facilmente. E agora, a quem posso me aliar pra ser mais forte que a Dor? Por instantes penso em me aliar à mesma Ilusão que antes fora deixada de lado, mas o Tempo também é um bom conselheiro e me mantém afastado de idéias como essa. Enquanto isso vou procurando um aliado tão leal quanto o Tempo e não tão perigoso quanto a Ilusão...

sexta-feira, janeiro 16, 2004

Sexta-feira...

Estava agora mesmo conversando com um amigo meu (vou chamá-lo aqui de "Mick") sobre a sexta-feira! Alguém conhece um dia mais estranho do que sexta-feira? É impressionante, chega a ser quase inacreditável! O tempo simplesmente não passa... Vocês não vão acreditar, mas fazem exatos 50 minutos que olhei para o relógio e eram 10:28, e agora são 10:37...
Vejam como são as coisas, e o fim de semana passa que ninguém vê né, quando se vê já é domingo de noite! Acho que isso tem alguma coisa a ver com uma tal de 'Teoria da Relatividade', ou algo assim... Ouvi falar sobre isso a um tempo atrás mas não lembro o nome do cara que inventou... É alguma coisa parecida com Augusto. Não! Alberto... ahh sei lá, o nome não importa!
O fato é que a sexta-feira é o dia mais estranho da semana, e isso não se discute. O relógio simplesmente não anda... Por que??? Alguém me explica isso por favor... Eu até pensei em fazer uma teoria sobre isso, mas não sou bom nessas coisas, vou deixar as teorias com o "Mick" e me distrair com alguma coisa...
Mas não adianta! O relógio é cúplice desse complô! Tenho a nítida impressão que alguém, em algum lugar, escolheu a sexta-feira pra se divertir com as pessoas! Ficar olhando-as trabalhar enquanto faz o relógio andar pra trás... Que merda! Sabem que horas são agora? 10:38...

quarta-feira, janeiro 14, 2004

A união faz a força!

     Estive lendo a pouco sobre o alcolismo! Vocês não tem idéia do quanto isso é prejudicial para algumas pessoas... A cerveja está literalmente dizimando famílias inteiras. Acabando com fígados pelo mundo a fora!
     Bom eu não sei quanto a vocês, mas isso me sensibilizou bastante e eu vou entrar nessa luta, nem que seja sozinho... Vou me sacrificar pra tentar acabar com os estoques de cerveja no mundo. Já estou comprando todas que encontro pelo caminho.
     Sei que nada posso fazer sozinho, por isso conto com a ajuda de vocês, meus amigos mais queridos. Sei que não vão me abandonar nessa hora. Quem não estiver comigo estará contra mim!
     Apropósito, que tal começarmos acabando com o estoque de Polar? Daí depois passamos pra outras combinado? Kaiser pode ser a última... O que vocês acham???

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Entre uma polenta e outra, algumas reflexões...

Alguém já parou pra analisar as letras de um pagodão desses qualquer? Repararam na mensagem que fica nas entrelinhas? Por exemplo: "Vem neném, neném vem, vem neném, neném vem..." Notaram? Um tanto quanto sutil não acham...? Mas se pararem pra analisar o contexto desses versos notarão uma crítica aos valores errados da sociedade, muito inteligente e bem elaborada... Acho que nós (simples mortais) nunca tínhamos entendido essas letras pois se destinam à um público muito além da nossa capacidade de raciocínio: os Pagodeiros!
Alguém tem outra explicação pra uma criatura do estilo do 'Rodriguinho' usar uma 'Les Paul', Meu Deus! Uma 'LES PAUL' que sacrilégio... Fingindo que toca, com aquela guitarra desligada e aquelas 'luvinhas'... E ainda por cima ganhar muita grana!!! Só pode ser por causa das letras muito bem elaboradas. (Desculpem minha falta de cultura, mas não me lembro de nenhum trecho do Rodriguinho pra dar um exemplo).
Mas é claro que não estou falando mal dele, até por que um cara que tem 5 ou 6 seguidores fiéis que ficam o tempo todo em formação "V" atrás dele não pode ser de todo ruim... E aqueles 'passinhos' ensaiados! Gestos e caretas... Tudo pra dar mais ênfase nas suas críticas e protestos que se traduzem nessas "músicas" que conhecemos!
Ok, pra me despedir vou deixar aqui um trecho de uma "música" para ver se vocês sacam a idéia do "compositor"... "Bota a mão no joelho. Dá uma abaixadinha. Vai mexendo gostoso, balançando a bundinha!" Lembrem-se: Tentem ler nas 'entrelinhas'! (Somente para usuários avançados!)
Ahh e não esqueçam: NUNCA façam isso em casa! Eles são profissionais, portanto não tentem "compor" nada desse estilo pois não é pra qualquer um!

sexta-feira, janeiro 09, 2004

Fake Plastic Love...

Ironicamente a distância parece ter amenizado as coisas... Mas por quanto tempo? Sua volta é iminente, e não sei se fico feliz com isso. Medo é a palavra certa... Será que descobri a cura? Cura??? Isso não é uma doença. Ou será que é? Não faz diferença. Prefiro estar longe a continuar vendo essa barreira que insiste em me tornar um estranho... Mesmo estando tão perto... Tento esquecer, mas meus pensamentos são traidores, parecem estar contra mim... Todos eles! Por que não consigo mais ficar a vontade com a sua presença? E por que isso é tão importante pra mim?
Perguntas e mais perguntas... Perguntas sem resposta... Respostas soltas no ar, disformes... Quem será o possuidor de bem tão precioso? Destino? Mas o que é isso afinal? Mais perguntas... Isso nunca terá fim!

terça-feira, janeiro 06, 2004

Os Novos Jogadores do Mau-Mau

Praia...
Sono... Nenhuma vontade de ir dormir...
Uma sugestão...
Mick: - Vamos jogar Mau-mau?
Rafael: - Sim, claro! Mas eu nunca joguei esse jogo...
Tina: - Eu também quero! Mas tu tem que nos ensinar...
Mick: - Sem problemas, vamos jogando que eu vou ensinando...
(Objetivo: Ganha quem largar todas as cartas que tiver na mão...)
Rafael: - Ok!
Tina: - Então tá... O que eu faço com essa carta?
Mick: - Ahh é... Essa carta faz com que um outro jogador qualquer, exceto eu, compre 2 cartas!
Rafael: - Puts que azar! Sou eu...
Tina: - Tá Mick, larguei de novo aquela carta, agora é você que tem que comprar 2!
Mick: - Ããã, ahhh acabei de lembrar, eu tenho essa outra carta que faz com que eu não precise comprar nessa rodada!
Tina: - Nossa! Que sorte hein?!
Rafael: - E essa carta Mick? O que ela faz?
Mick: - Ahh, boa pergunta! Essa carta faz com que eu largue 2 das minhas... U-hu to ganhando!!!
(Olhares de estranheza! Próxima rodada: é a vez do Mick comprar uma carta...)
Mick: - A-ha essa carta que eu comprei me dá o direito de largar 2 e ainda escolher o naipe que o outro jogador deve jogar!
(Não restavam dúvidas! Havia algo de podre naquilo tudo...)
Mick: - "Mau-mau..."
Rafael: - O que isso quer dizer?
Mick: - Que só falta uma carta pra eu ganhar o jogo...
(Tina joga uma carta de espadas na mesa. O Mick joga uma de copas por cima e avisa: Ganhei!!! U-hu!!!)
Tina: - Ah não Mick, peraí! Tu não tinha que largar uma carta de espadas pra ganhar o jogo???
Mick: - Ahhh desculpa, esqueci de avisar... É que eu tinha um Valete, ele é o coringa!


segunda-feira, janeiro 05, 2004

O Tempo...

Gostaria de saber por que as pessoas nunca estão satisfeitas com sua idade ou com seu nível de maturidade. Por que querem sempre pular um etapa da vida ou voltar atrás? Será da natureza humana sempre pensar que poderia ser melhor? Por que não pensam que poderia ser pior, e que suas vidas tem muitas coisas boas e que cada idade tem suas vantagens e desvantagens como qualquer outra? Por que é tão difícil perceber que o tempo é o bem mais precioso que existe, e o único que não voltará atrás? Por que só percebemos isso quando já não podemos fazer nada?
Um dia desses me peguei a pensar: "Bah, eu era feliz e não sabia... quando estava no colégio não precisava me preocupar com nada, era só estudar e passar de ano. No mais era só aproveitar todo o tempo livre que eu tinha..." Mas pensei: "Espera aí: tem alguma coisa errada! Nessa época em que herdei tantas lembranças boas eu não sabia que era assim tão feliz! Muito pelo contrário: sempre me pegava a reclamar dos estudos, das provas, ou de alguma outra besteira..." E só então percebi que eu não estava dando valor pra fase maravilhosa em que me encontrava, estava apenas 'passando' pela vida...
Depois de algum tempo de reflexão percebi que naquela época eu tinha tempo pra fazer muitas coisas que hoje não posso fazer, em contrapartida não tinha responsabilidade suficiente para trabalhar, dirigir, ou ter livre arbítrio a respeito da minha vida. Coisas que hoje eu posso fazer. Percebi que estou sendo tão feliz hoje quanto eu era à 3 anos atrás, mas de uma forma diferente. Hoje não penso em voltar ao passado para ter mais tempo para brincar, e não penso em amadurecer mais rápido do que o normal pois só terei 18 anos uma vez na vida, e se as coisas acontecem dessa forma: nascer, crescer, e morrer... é porquê não devemos pular nenhuma das etapas da vida, ou tentar retrocedê-la... É como se o "Alguém" que criou a vida tenha projetado-a para nos ensinar tudo que devemos saber. E esse "Alguém" fez a coisa mais sábia que poderia ter feito: separou a vida em etapas...
Sei que é muita pretenção da minha parte dar um conselho desse tipo, mas eu não me atreveria a contrariar um "Alguém" que foi tão sábio a ponto de separar igualmente dores e alegrias, aprendizados e provações... Falando unicamente por mim: hoje estou muito feliz por ser maduro suficiente a ponto de ter refletido sobre isso e infantil suficiente a ponto de ainda ter milhões de descobertas e desilusões pela frente...
E o tempo passa... Quando se vê, já são seis horas... Quando se vê, já é sexta-feira... Quando se vê, já é Natal... Quando se vê, já terminou o ano... Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida... Quando se vê, passaram-se 50 anos! E você? Já se deu conta que está passando por uma fase incrível? Ou é daquelas pessoas que pensa que pode retroceder ou avançar o relógio da vida?

Sinopse

Ok, como vocês podem perceber este é o primeiro post do blog. Gostaria de dar as Boas Vindas a todos!
Em primeiro lugar quero deixar bem claro que, apesar do título desse blog ter ficado um tanto quanto 'narcisista', não tenho intenção de transformá-lo numa espécie de "Querido diário...", não pretendo escrever o que comi, onde dormi, nem que roupa comprei, mas com certeza o que for relevante vai estar aqui, e algumas besteiras também!